F1 – Do Japão para a China

Com a vitória de Hamilton e a batida de Alonso no GP do Japão, algumas coisas ficaram mais claras no mundial de Fórmula 1. Em primeiro lugar ninguém mais precisa discutir se Hamilton é rápido. Ele é. Não tem mais a desculpa de usar o acerto do Alonso, e mesmo que usasse, o fato é que ele foi mais rápido nos treinos, em uma pista que os pilotos só conheciam pelo simulador. Não é pouco.

Mas as escaramuças usadas pelo inglês atrás do safety-car, ora chegando muito próximo, ora freando bruscamente, revelam um outro lado de Hamilton. Ele mesmo declarou que pensou em Alain Prost e Ayrton Senna durante a corrida, e embora a tal inspiração em pilotos que foram grandes inimigos possa parecer paradoxal, ambos tinham mesmo em comum o desejo quase descontrolado de vencer.Poderia apostar que Hamilton lembrou dos dois GPs decisivos em que Prost e Senna se enroscaram. Na primeira vez por culpa de Prost, e na segunda, de Senna. Ambos acabaram campeões nos respectivos anos em que foram culpados.

No caso de Hamilton a manobra um foi o tal “anda e para”. Alonso quase estampou sua traseira, mas afinal, funcionou e o espanhol ficou pra trás. Lá pela volta 40 Alonso bateu no muro, destruindo sua McLaren, e as chances de ser tri-campeão, exigindo uma nova entrada do Safety-car. Desta vez quem estava atrás de Hamilton era Webber, seguido por Vettel, que numa das “paradinhas”, não conseguiu frear a tempo, bateu em Webber e ambos acabaram fora da prova.

Nas palavras do próprio Vettel: “… De repente eu vi Lewis quase parando o carro à direita da pista…”. “Eu pensei no que poderia ter acontecido com ele. Até pensei que estivesse abandonando a corrida de tão devagar que estava, mas quando eu olhei de novo já estava na traseira de Mark (Webber). Foi minha culpa, e eu não estou aqui pra culpar ninguém, mas acho que está claro que o ritmo não era o apropriado”.Com essa declaração, Vettel pode ter mudado os rumos da investigação sobre o incidente, que em príncípio havia sido concluída com a sua perda de 10 posições no grid da China.

Agora é Hamilton que está sendo investigado. Muito conveniente! Diriam os adeptos de teorias conspiratórias. O fato é que é exatamente isso que queremos. Um final de campeonato do tipo tudo ou nada, na última prova do ano, que por acaso será aqui no Brasil. Mas a segunda coisa a ficar clara no GP do Japão não é uma teoria de conspiração, e sim que Vettel, além de muito educadinho e humilde, é rápido pra caramba.Ele surpreendeu com o 8o melhor tempo no treino classificatório e estava prestes a levar sua STR ao pódio quando bateu em Webber.

Por falar em Webber, ele foi bem menos sutil ao comentar as manobras de Hamilton atrás do safety car, segundo ele o inglês fez bobagem (ok, não foi bem isso que ele disse… Aliás, é melhor deixar ele mesmo explicar)… “Hamilton fez um trabalho de m*** , é isso. Ele disse no briefing dos pilotos que ia fazer tudo certinho, e fez justamente o oposto. Mas é bom saber para a próxima vez”. Boa declaração, diga-se de passagem.

Button e Alonso fizeram declarações concordando com Webber, todos acharam o comportamento de Hamilton inadequadamente inseguro, especialmente porque a presença do safety car deveria por princípio, evitar acidentes.E é justamente essa é a terceira coisa a ficar clara.A obsessão por segurança da Fórmula 1, que leva uma corrida a começar com 20 voltas atrás de um safety car, é muito chata. E o os acidentes ainda acontecem, só que agora também são mais chatos. Na disputa pela terceira posição no campeonato, Felipe Massa declarou que não vai mais ajudar Raikonnen (ele ajudou no Japão?), e vai lutar por vitórias nas duas últimas provas de 2007. Mas no Japão ele não foi bem, e mesmo mantendo-se à frente de Kubica em uma disputa emocionante, ficou claro que (e essa é a quarta coisa) falta frieza e concentração para obter resultados mais consistentes.Rodar atrás do safety-car não é o fim do mundo, mas definitivamente não ajuda.Daqui a pouco, às 23hs aqui no Brasil, quando os carros entrarem na pista para os primeiros treinos no GP da China, Alonso poderá estar em posição muito melhor do que poderia prever após o abandono no Japão.Uma punição à Hamilton seja qual for, se acontecer, vai adicionar mais um pouco de polêmica a um campeonato já bem complicado e polêmico.O circuito da China é obra de Hermann Tilke, o mesmo que desenhou as pistas da Malasya, Bahrain e Turquia. É uma pista larga e seu formato emula o ideograma chinês que quer dizer “acima” ou “alto”. São sete curvas para a direita e sete para a esquerda, sendo a curva 1 e a freada no final da reta principal, os melhores pontos de ultrapassagem. Barrichello venceu nesta pista em 2004, de Ferrari, e Button neste mesmo ano chegou em segundo. Agora Honda precisa de um resultado igual a esse para não terminar o ano como o mais claro fiasco da temporada… Improvável. 

Link para o acidente de Vettel e Webber – http://www.dailymotion.com/video/x34nae_traffic_travel.

Marcelo MannaAll Racing. 

Leave a Reply