F1 – Igualdade e Fraternidade

O presidente da FIA, Max Mosley, declarou que vai garantir que Alonso e Hamilton disputem o GP do Brasil em iguais condições.Um comissário inspecionará o tratamento dedicado aos pilotos, para assegurar que nada de errado aconteça.As declarações de Alonso sugerindo sabotagem na calibragem dos pneus, e sua dramática chegada ao Motorhome, esbravejando que ninguém é meio segundo mais rápido do que ele, devem ter comovido a FIA.Aposto que Rubens Barrichello teria ficado muito agradecido por alguém na FIA que lutasse tanto por igualdade quando ele corria com Michael Schumacher na Ferrari. Mas se Mosley já fosse o presidente da FIA na época…Hoje as tais “ordens de equipe” foram banidas justamente por causa da Ferrari, e neste cenário de alta tecnologia, não dá pra pensar em muitas formas de sabotar um piloto de F1, sem deixar evidências claras.

Boas e velhas alternativas como o laxante na comida, seriam quase impossíveis com os cuidados que as equipes tem com a alimentação dos pilotos. Açúcar, ou qualquer outra coisa na gasolina então… Por menor que fosse a quantidade, os computadores indicariam irregularidades no funcionamento do motor, ainda nos boxes. A calibragem dos pneus é uma alternativa, mas poderia colocar a vida dos pilotos em risco, e isso é complicado demais, mesmo para uma equipe de Fórmula1.Será assim tão difícil? Parece que sim. Especialmente quando consideramos as poucas histórias de sabotagem, nenhuma comprovada, em GPs…

O melhor jeito de se prejudicar um piloto parece que sempre foi ao estilo 007. Com belas e mal intencionadas mulheres. Juan Manuel Fangio, cinco vezes campeão mundial, foi assediado por uma bela e conhecida atriz italiana, antes do GP de Mônaco em 1957, convidando-o para “conhecer seu quarto no hotel”.Talvez por ser Argentino, ou prevendo algum tipo de tramóia, “El Maestro” não aceitou o convite.E venceu a corrida de ponta a ponta.

Mas nem essa tática é garantida.Damon Hill, James Hunt, Loris Capirossi e alguns outros, já declararam que nunca deixaram de fazer nada, digamos… divertido, por causa das corridas.Da mesma forma que a ida de Senna para a McLaren ao lado de Prost gera até hoje acaloradas discussões de mesa de bar, toda essa polêmica sobre conspirações e sabotagens tende a acabar, ou não acabar, nisso mesmo. Com ou sem igualdade, a Ferrari anunciou ontem um contrato até 2010 com Felipe Massa. Mesmo sabendo que o agente de Massa é filho de Jean Todt, presidente da Ferrari (isso não configura conflito de interesses?), o anúncio é tão inesperado que já disparou uma série de novas especulações. Uma delas é que o contrato assegura que Massa ajude Raikkonen na disputa pelo título. Massa nega qualquer fraternidade na luta pela vitória, e não cansa de declarar que só quer vencer.

Não sei se é sério, ingenuidade ou carnaval.Mas se a Ferrari não dedicar todos os esforços (motor especial eles já confirmaram!) para dar o título a Raiknonen, incluindo uma ajuda, se necessária, do Brasileiro, vai quebrar uma tradição cinqüentenária.  Mas o mais certo é que o anúncio da Ferrari signifique simplesmente que o futuro de Alonso já esteja decidido. E se Alonso assinou, as demais peças vão começar a se encaixar.

Segundo o Aluízio Coelho, amigo, e único que já pilotou um Fórmula1 a ter tomado um chopp comigo (enquanto eu provavelmente tomava uma Fanta sabor Morango…),; “o espanhol é um perigo”. Realmente Alonso se esforçou um bocado para manipular a mídia e os interesses da Fórmula1, mas se as coisas continuarem na direção que estão ele poderá ser o maior perdedor desta estória toda.

Marcelo Manna – http://www.allracing.globolog.com.br/.

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