[Entrevista] Por dentro da SDIC: como a Samsung desbrava o futuro da tecnologia de dispositivos vestíveis com o Design Computacional

Desenvolver dispositivos vestíveis com ajuste e conforto ideais continua sendo um desafio complexo, mas essencial. Além de tornar o uso mais natural e agradável, esses fatores estão diretamente ligados à maximização do desempenho geral do dispositivo e da precisão de seus sensores. No entanto, o fato de cada pessoa ter uma anatomia única representa um grande obstáculo. Mas e se fosse possível projetar conforto, encaixe e capacidade de sensoriamento com tanta precisão que a experiência ideal pudesse ser oferecida a praticamente qualquer pessoa?

A solução da Samsung é o Design Computacional. Esse processo multidimensional aproveita a Inteligência Artificial e a computação avançada para analisar centenas de milhares de pontos de dados quantitativos e qualitativos para gerar, testar e refinar o design de produtos com maior precisão. O resultado é uma mudança fundamental do feedback subjetivo para uma engenharia objetiva e baseada em dados, criando produtos superiores com o ajuste ideal para a mais ampla gama de usuários.

Essa descrição captura o Design Computacional de forma abstrata—como uma definição de dicionário. Para entender como o Design Computacional é realmente usado para criar dispositivos vestíveis superiores, a Samsung Newsroom visitou o Samsung Design Innovation Center (SDIC) em São Francisco (EUA), sede do Laboratório de Design Computacional. Lá, aprendemos mais sobre esse processo inovador e o vimos em ação.

À frente do SDIC está Federico Casalegno, Vice-presidente Executivo e Chefe do Samsung Design Innovation Center, que passou as últimas duas décadas aprimorando a prática do design computacional e liderando a implementação desse conceito central no desenvolvimento de produtos da Samsung. Conversamos com Federico para entender como o SDIC utiliza o design computacional como uma ferramenta fundamental para criar e otimizar experiências nos dispositivos vestíveis da Samsung, especialmente na Galaxy Buds4 Series.

P: Conte-nos sobre o papel do SDIC.

No SDIC, nossa missão é oferecer experiências significativas ao entender as pessoas e a evolução de seus estilos de vida — sempre no contexto do design centrado no ser humano. Em última análise, queremos encantar as pessoas e criar produtos que as ajudem a viver vidas mais felizes, saudáveis, criativas e produtivas, ao mesmo tempo em que construímos um futuro melhor para todos e preservamos o meio ambiente. Para alcançar isso, o SDIC une o poder do design e da criatividade com a tomada de decisão baseada em dados. Apoiada pela AI, aprendizado de máquina (machine learning), robótica e computação avançada, nossa talentosa equipe multidisciplinar de designers está constantemente expandindo os limites do que é possível, entregando experiências de usuário inigualáveis e benefícios reais e tangíveis.

▲ No SDIC, design, AI, dados e computação são combinados para proporcionar o máximo de conforto aos dispositivos vestíveis.

P: O que exatamente é o design computacional e qual é a filosofia por trás dele?

Embora vivamos em uma era única de inovação tecnológica, a abordagem de design da Samsung sempre foi profundamente centrada nas pessoas, pois acreditamos que tecnologia sem humanidade é apenas perfeição sem propósito. O design computacional é a forma como damos vida a essa filosofia—trata-se do processo de utilizar todo o potencial da AI, dos dados e da computação para projetar produtos para as pessoas, em vez de esperar que as pessoas se adaptem aos nossos produtos. Essa abordagem nos ajuda a criar dispositivos que são, em sua essência, funcionais, intuitivos, confortáveis e cuidadosamente elaborados. Hoje, essa metodologia é aplicada em todo o nosso portfólio de dispositivos vestíveis, incluindo a Galaxy Watch8 Series e a Galaxy Buds4 Series.

▲ O processo de design computacional envolve diversos equipamentos de teste de última geração, incluindo o escaneamento 4D.

P: Como o design computacional transforma o “ajuste” de um dispositivo em uma métrica objetiva e mensurável?

Ao desenvolver algo tão pessoal quanto um dispositivo vestível que permanece em contato com você por longos períodos, o encaixe é um elemento essencial. Não se trata apenas de conforto; um ajuste seguro também é necessário para maximizar a precisão dos sensores do dispositivo. No entanto, os métodos tradicionais de design falham em medir a usabilidade de forma objetiva, pois dependem apenas de um pequeno grupo de pessoas para testes de produto.

O design computacional muda isso de forma fundamental. Ao utilizar grandes conjuntos de dados digitalizados e simulações avançadas de AI, ele transforma a usabilidade em uma métrica quantificável, possibilitando que a Samsung meça conforto e encaixe como nunca antes. Ao considerar todas as formas e curvas únicas da orelha humana ou do pulso por meio do design computacional, nossos designers passam a contar com insights confiáveis e objetivos, difíceis de obter por métodos tradicionais.

▲ Parâmetros de design ideais são obtidos por meio de AI e simulações baseadas em física, e depois são verificados por testes com robôs.

P: Conte-nos detalhadamente como funciona o processo de Design Computacional no laboratório e como ele foi implementado na Galaxy Buds4 Series.

Nosso processo de Design Computacional depende de três elementos: pessoas reais, gêmeos digitais (digital twins) e robôs. Capturamos escaneamentos em 3D e 4D de um público global e diverso, integrando dados anatômicos precisos para criar “gêmeos digitais”. Em seguida, executamos simulações baseadas em AI e física, validando os resultados em comparação com testes físicos em robôs.

Para Galaxy Buds4 Series, aplicamos exatamente esse processo para alcançar o conforto de uso e som premium. Analisamos centenas de milhões de pontos de dados de orelhas em todo o mundo e realizamos mais de 10.000 simulações para aperfeiçoar o novo design em formato de haste. Esses dados objetivos nos levaram a reduzir sutilmente o tamanho do fone principal1 e a refinar o ângulo de rotação—ajustes pequenos que resultaram em um aumento dramático e universalmente validado em estabilidade e conforto.

P: Como o design computacional da Samsung beneficia as pessoas?

O processo de design computacional da Samsung é impulsionado por um conjunto de dados proprietário exclusivo, construído inteiramente dentro da própria Samsung, e nossa equipe desenvolveu diversos programas de AI especializados com base nesses dados. Essa combinação nos oferece insights únicos enquanto inovamos constantemente nossos processos e métodos de design. Especificamente para os Galaxy Buds e Watch, isso se traduz em maior conforto ao uso, estabilidade e precisão dos sensores—fatores essenciais que elevam tanto a experiência do usuário quanto o desempenho do produto.

▲ A linha de dispositivos vestíveis da Samsung, como Galaxy Buds4, Galaxy Watch8 e Galaxy Ring, incorpora o design computacional em seu processo de desenvolvimento.

P: Olhando para o futuro, como você enxerga a evolução do Design Computacional na próxima década?

O Design Computacional agora é um elemento fundamental do processo de desenvolvimento da Samsung em todos os nossos dispositivos vestíveis. Nosso objetivo continua sendo maximizar a usabilidade, o ajuste, o conforto e o desempenho dos sensores para, em última análise, atender perfeitamente às pessoas que os utilizam.

Olhando para o futuro, o verdadeiro poder desse processo é a sua evolução contínua. À medida que nosso banco de dados continuar crescendo, as ferramentas de AI personalizadas impulsionarão simulações mais precisas e insights mais profundos. Por fim, essa parceria simbiótica entre o Design Computacional e a AI liberta nossos designers para serem mais criativos, capacitando-nos a entregar produtos e experiências comprovadamente superiores para as pessoas que os usam.

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1 Exclusivo do Galaxy Buds4.

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